O futuro do Trabalho
Texto: Michel Aires de Souza
Marx, Weber e Durkhein conceberam o conceito de trabalho como a peça fundamental de seus pensamentos, isso porque o trabalho sempre foi o principal fator que organizou nossa sociedade. Contudo, atualmente o trabalho se fragmentou, já não é mais o mesmo. O trabalho produtivo da indústria, cujos princípios norteadores eram o fordismo e o taylorismo, que valorizavam a produtividade controlando os movimentos das máquinas e dos homens no processo de produção tende a desaparecer. Não existe mais aquele trabalho mecânico, repetitivo, autômato que Charles Chaplin eternizou nas telas do cinema. Neste dia, primeiro de maio, dia do trabalho, nada melhor do que fazer uma reflexão sobre o conceito de trabalho. Qual o futuro do trabalho? Qual o nosso papel enquanto futuros trabalhadores? O que as empresas esperam dos estudantes de hoje que estão entrando no mercado de trabalho?
O mundo mudou ao longo do século XX. Hoje tem sido criadas novas modalidades de ocupação. Pode ser que num futuro próximo todas as esferas da vida social sejam mecanizadas A perspectiva de mudanças nos modos e nas relações de produção com a mecanização e automatização em todas as esferas da vida social deve possibilitar uma nova forma histórica do conceito de trabalho. Temos que pensar o conceito de trabalho a partir de um novo paradigma, que leve em consideração a sociedade do conhecimento e da informação. O trabalho do século XXI não será mais mecânico e produtivo, mas será intelectual e criativo. Atualmente com o desemprego estrutural (desemprego causado pela crescente mecanização) tem surgido cada vez mais o trabalho como prestação de serviço. O papel do trabalhador é prestar serviço produzindo idéias, resolvendo problemas, criando soluções. Esse é o novo paradigma para se pensar o trabalho a partir do século XXI. O trabalho automático, irritante, desprazeiroso e produtivo será abolido e substituído pelo trabalho lúdico, intelectual, imaginativo. O trabalhador do futuro não terá mais carteira assinada, mas deve prestar serviços às empresas, órgãos e instituições privadas e públicas. Ele deve ter como sua principal característica à capacidade de mobilizar esquemas mentais e conhecimentos para resolver problemas, de analisar situações e fazer diagnósticos, de trabalhar em equipe, de saber proceder e agir com criatividade em qualquer situação, de fazer inferências e sempre ser capaz de aprender continuamente. O sociólogo italiano Domenico Masi especialista no assunto ilustra bem como será o trabalho no futuro. “O trabalho braçal a máquina faz; o mental o computador realiza; ao ser humano cabe ter idéias e ser criativo”.
O termo “home Office” deve tornar-se uma palavra comum no futuro. Trabalhar em casa com a mente e com o computador ou um notebook deve ser o espaço de produção e criação. Segundo José Pastore sociólogo especialista em relações do trabalho, professor da Universidade de São Paulo, os serviços que mais se expandem são os de economia intangível e que dependem muito mais do talento intelectual do que da força física. É intangível, pois os papéis exercidos pelos empregados e empregadores não são claramente divididos e identificáveis. Essa é uma tendência no mundo todo, os profissionais de hoje empenham-se em atividades especializadas e atuam como pessoas jurídicas. Hoje se trabalha como cooperado, por projeto, à distância, como free lancer, intermitente, coloborativo, etc. No mercado de trabalho não há mais lugar para quem não sabe pensar; para quem não gosta de aprender e estar constantemente atualizado; para quem não tem flexibilidade para se adaptar a um ambiente em constante mudança. Não há mais lugar para aquele que não quer transformar-se para melhor, em progredir e aperfeiçoar-se.
Nossos cumprimentos pelo texto. O problema da educação é que deixou de lado a formação integral do aluno, objetivando dar enfase à sua inteligência para a vida em competitividade. A formação e o desenvolvimento do carater está em segundo plano. O foco na inteligência provoca disturbios na formação da personalidade do futuro trabalhador ou profissional, cuja ambição pessoal pode atropelar a vivência de valores humanos.Daí, termos uma legião de “topa-tudo” por dinheiro e homens sem ética.Há que se reconstruir no ensino, desde tenra idade a pedagogia para o bom e nobre desenvolvimento do carater.Este é fundamento do “Homem” que estamos necessitando . Carater e inteligência, somados, propiciam futuros profissionais sadios e saudáveis para diminuir as anguastias da vida moderna.