Pular para o conteúdo

Por que devemos preservar a cultura?

março 20, 2009

Texto: Michel Aires de Souza Cultura

A escola de hoje é o local onde a cultura capitalista se reproduz. A criança deve ser condicionada desde cedo ao mercado de trabalho, todos os seus gestos e pensamentos devem ser voltados para a aceitação passiva dos valores que regem a economia de mercado.  As escolas são como fábricas,  os indivíduos devem ser treinados  e qualificados. O aluno deve aprender a saber diferenciar entre o certo e o errado, entre o útil e o prejudicial. Com isso, a cultura vigente capitalista se universaliza. Consequentemente, surge  uma cultura internacional popular, uma cultura do consumo e do desempenho. Herbert Marcuse, nos anos cinqüenta, já havia nos alertado sobre essa cultura consumista onde os indivíduos devem ter um desempenho econômico.

          A cultura do capitalismo burguês nivela a tudo e a todos. É o fim da cultura como nós a conhecemos. Os povos estão perdendo sua cultura.   O que é popular caiu no esquecimento. A cultura  em seus modos de existir, o cotidiano físico e simbólico e o imaginário dos homens foi condicionada por uma cultura internacional popular. Otavio Ianni, em seu livro “Sociedade Global”, nos alerta que antigamente invadia-se os mercados com mercadorias, mas hoje se invadem culturas inteiras com informações, entretenimentos e idéias. Formam-se linguagens globais. O que é local, regional, nacional, entra no jogo das relações internacionais. Como consequencia disso,  realizam-se produções materiais e espirituais que já nascem como internacionais ou propriamente globais. A cultura internacional popular nasce, circula e é consumida como mercadoria lançada simultaneamente em diferentes mercados nacionais. Por sobre e além da cultura popular surge uma nova cultura internacional popular.

           Alfredo Bosi também detectou a regressão da cultura a barbárie. Em seu livro “Dialética da colonização” ele nos mostra que o patrimônio sócio-cultural no Brasil perdeu-se ou encontra-se depositado em bibliotecas e museus como relíquias. Em nossa época,  o que acontece é a destruição de formas sociais de vida e de trabalho, dos modos de ser da coletividade, povos e culturas. Bosi critica uma certa vertente culta, ocidentalizante, de fundo colonizador, que procura estigmatizar a cultura popular como fóssil correspondente aos estados de primitivismo, atraso e subdesenvolvimento. 

          A escola tornou-se um local de aculturação, da barbárie cultural e da domesticação da alma.  Bordieu já havia detectado que a escola não é o lugar da cultura popular, mas é o local onde se materializa e reproduz os valores da cultura do capitalismo burguês. A cultura perdeu sua importância e o homem tornou-se reificado, tornou-se  um objeto, um parafuso numa engrenagem. Para que isso não aconteça, é imprescindível para toda educação do futuro  preservar a cultura dos povos. A educação deve ser um instrumento de luta, de revolta, contra o condicionamento da alma, contra a aculturação, contra a exploração e contra a miséria. A educação do futuro, para o futuro do Brasil exige que o aluno tenha um ensino mais humanista e que aprenda a gostar e a preservar sua cultura.  

Ainda sem comentários

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.