A reprodução da desigualdade racial através da reprodução da violência simbólica (Prof.Michel)
O maior símbolo do preconceito e da discriminação é representado pelos baixos índices socioeconômicos da população negra e pelo acesso desta às posições na pirâmide social.
A educação que é vista como o meio para se ascender na pirâmide social, apresenta ainda muitas disparidades. Enquanto os brancos estudam 8,8 anos, os negros passam apenas 6,8 na escola. Dos que chegam à faculdade apenas 2,2 conseguem concluí-la. Se considerarmos os pardos como negros esta taxa aumentaria para 19,1 contra 77,8 dos brancos.*
Fonte: IBGE, 1999/Inep,2001
Na saúde a disparidade continua. Enquanto 54% dos atendimentos e 59% de internações nos SUS são de brancos, esses índices sobem para 76% e 81% respectivamente na população negra. Também é uma porcentagem pequena dos negros que possuem planos de saúde chegando a 14,7% em relação aos 32% de brancos que o possuem.
Em relação ao desemprego as mulheres são mais injustiçadas, primeiro por serem mulheres e segundo por serem negras. A taxa de desemprego das mulheres negras é de 12,4%, enquanto a das mulheres brancas é de 9,4%. Entre os homens negros a taxa de desemprego é de 6,7%, enquanto a taxa de desemprego dos homens brancos é de 5,5%.
A precariedade aumenta em relação ao recebimento do bolsa família. Do total de famílias que recebem a bolsa família 69% são chefiadas por negros, mostrando que eles representam a população mais pobre do Brasil. Esta idéia também pode ser corroborada pelos dados de moradias nas favelas. São dois milhões de domicílios que ficam na favela, formando um contingente de oito milhões de pessoas. Desse montante de residências 66,1% são chefiados por negros enquanto 33% são chefiados por brancos.
Está claro que os baixos índices socioeconômicos da população negra e a desigualdade de oportunidades demonstram que no Brasil há preconceito e discriminação racial.
O nosso objetivo aqui é desvelar os mecanismos da reprodução da desigualdade racial. Por que esta desigualdade se reproduz? Quais são seus mecanismos? Como o preconceito e a discriminação se perpetua? O que procuramos demonstrar é que o racismo não se consolida mais como um conjunto de teorias ou idéias que justificam uma hierarquia entre raças ou etnias, mas que ela se perpetua ao nível do simbólico e da representação, muitas vezes de modo inconsciente e mecânico. Em conseqüência disso, é por meio da violência simbólica, entendida como um conjunto de símbolos e representações agressivas e discriminatórias, que o preconceito e a discriminação se manifestam.
Mas como o preconceito é aprendido? Como ele é assimilado e internalizado no imaginário popular? Ele é aprendido do convívio social desde a primeira infância em seu convívio com os pais e, mais tarde, através das práticas sociais, na escola, nas ruas, nas empresas, nas instituições e na mídia. O preconceito se acumulou desde a escravidão criando representações sociais e experiências de subjugação e subalternidade que foram internalizadas tanto no negro como no branco. “A complexidade das relações raciais na sociedade brasileira foi construída com base no processo de escravização de africanos. Isto foi o que criou, ao longo de séculos de história, tanto no escravizado quanto no escravocrata, representações sociais e experiências de subalternidade que são, do ponto de vista individual, de uma fundura simbólica imensa, e que produzem, do ponto de vista social, um engessamento de lugares e de hegemonia”. (Lopes, 2007, 17)
O racismo tornou-se natural em nossa atualidade, se naturalizou a tal ponto que se transformou num mecanismo inconsciente e automático. O preconceito se manifesta a níveis de representações e expressões que se solidificaram como fósseis correspondentes a estados de primitivismo na mente dos indivíduos. “As expressões que denotam o preconceito racial estão de tal forma impregnados na nossa sociabilidade que já ficaram naturalizados no nosso cotidiano, como padrão predominante de comportamento (…) (Lopes, 2006, p.22)
É no imaginário social que o preconceito insiste em se perpetuar. Brincadeiras, piadas, representações, classificação, conceitos, opiniões, certezas, categorias, achismos são os produtos e ingredientes simbólicos do preconceito e da discriminação racial. As categorias criadas no dia- a -dia não podem ser ignoradas, nelas encontram-se o lugar da desigualdade. Bombom, moreninho, neguinho, mulatinho, entre outros são categorias afetivas que insistem em agrupar os negros em sua dessemelhança em relação aos brancos. Você é um negro e não um branco. “Essa origem da classificação por cor é carregada de um conteúdo marcadamente discriminatório, e com ele vêm junto conceitos, opiniões e certezas que informam, ao longo da nossa história, o lugar de cada um – brancos e negros – no imaginário social” (Lopes, 2007, p.17)
Há também uma série de termos simbólicos que insistem em apagar, encobrir, disfarçar a origem étnico-racial. Os eufemismos como moreninho, moreno, moreno claro, escurinho fazem parte da etiqueta social procurando suavizar a cor negra, como se ela fosse algo ruim ou como se fosse má educação se referir a alguém como negro.
Há também muitas frases faladas no cotidiano que soam de forma natural e que reforçam o sentimento de desprezo ou de inferioridade. Geralmente são frases com premissas ocultas. “Nossa como ele é bonito para um negro”; “Ele que é o dono de tudo isso?”; “Eu quero uma meia-calça cor de pele”, “Adoro negras, são ótimas empregadas”, “Por que você não alisa o cabelo, vai ficar bonita”. “Maria faz parte da família, é uma negra feliz”.
Também não podemos nos esquecer das piadas racistas que sempre são faladas em tom de brincadeiras e acompanhadas de risos, reforçando o preconceito racial: “é preto, mas é inteligente”; “é preto, mas é bonito”; “ninguém mandou ter cabelo ruim”; “quando não caga na entrada, caga na saída”. Apesar dessas brincadeiras serem feitas entre amigos ou parentes, não podemos negar que elas são de extremo preconceito e discriminação reforçando e perpetuando no imaginário popular a desigualdade racial.
Em conflitos o preconceito se manifesta abertamente. Numa desavença é comum o preconceito ser manifestado por meio de xingamento racista como “macaco”; “urubu”; “negro”, “nego fedorento”; “negão”. É mais comum esse tipo de agressividade entre alunos nas escolas. Geralmente o professor é complacente ou somente chama a atenção do aluno, mas não faz um trabalho de conscientização permitindo assim que o racismo se manifeste e se perpetue no ambiente escolar.
O corpo e as expressões corporais são uma linguagem e como tal manifestam também o preconceito. Muitas vezes o preconceito é manifesto em gestos e expressões faciais: um sorriso de escárnio, um olhar dissimulado, a indiferença, a arrogância.
O preconceito se manifesta não somente pelo que é dito, mas também pelo não dito, não falado, não mostrado. A escola é o lugar privilegiado da socialização onde os jovens devem aprender valores e regras do convívio social. É também o lugar da transmissão, estudo e reflexão de nossa identidade, cultura e formação. Contudo, na escola a história, a cultura, a música, os feitos dos heróis negros são esquecidas. Segundo Ana Lucia Lopes, coordenadora do Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil, “o currículo não é um elemento neutro e desinteressado na transmissão de conteúdos do conhecimento social. Ele esteve sempre imbricado em relações políticas de poder e de controle social sobre a produção desse conhecimento. Por isso, ao transmitir visões de mundo particulares, reproduz valores que irão participar da formação de identidades individuais e sociais e, portanto, de sujeitos sociais.” (Lopes, 2007, p.16). A escolha dos conteúdos nas escolas ao privilegiar o ponto de vista da história do branco e de sua cultura reproduz o preconceito e a discriminação. Essa omissão prejudica a formação e construção da identidade da criança negra, prejudicando sua auto-imagem e auto-estima. Além disso, prejudica o prestígio social e histórico da população negra e mestiça, perpetuando a desigualdade racial.
O grande problema do preconceito no Brasil é que ele é velado, foi assimilado culturalmente, tornando-se muitas vezes inconsciente. “A conseqüência disso, sabemos bem, é a dificuldade de combater o nosso preconceito, que em certo sentido tem, pelo fato de ser variável, enorme e vantajosa invisibilidade.” (Matta, 1984, p.43) O caminho para acabar com o preconceito esta na educação. É necessário educar as novas gerações dando visibilidade à cultura, à história, à música, aos valores e à religião dos afro-descendentes. “É preciso olhar mais de perto as experiências escolares que essas crianças e jovens vivenciam. A escola precisa aprender, para assim propor situações de aprendizagem que considerem a presença fundamental dos negros e mestiços em nossa sociedade e, com isso, proporcionar, no currículo cotidiano, outros encontros identitários, mas, dessa vez, de inclusão, de sucesso e, portanto, de aprendizagem positivas.” (Lopes, 2007, p.16-7)
*Os dados presentes neste texto fazem parte do documento “Retrato da desigualdade de gênero e raça”, publicado em 2008 pelo “Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas” (Ipea), em parceria com o “Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para Mulher” (Unifem) e a “Secretaria Especial de Políticas para mulheres e Homens Negros” (SPM)
Bibliografia
LOPES, A.L. Currículo, escola e relações étnico-raciais. In: Educação, Africanidades, Brasil. Brasilia: Editora UNB, 2007
LOURENÇO, C. Racismo, a verdade dói. Encare. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2006
DAMATTA, R. O que faz o brasil Brasil? Rio de janeiro: Rocco, 1984
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* Texto escrito pelo meu amigo mirmecólogo Wesley Dáttilo – Universidade Estadual do Norte Fluminense – Laboratório de Entomologia e Fitopatologia.
As formigas são insetos sociais, isto é, vivem em colônias ou ninhos, onde cada uma trabalha para todos os membros da colônia e não somente para si mesma. Uma colônia de formigas ilustra um modo perfeito de sociedade comunitária, difícil do homem copiar e que talvez nunca consiga ser igualado. São dominantes na maioria dos ecossistemas terrestres, pois estão amplamente distribuídas geograficamente, sendo encontrados desde regiões subpolares até o tropicais, entretanto são mais abundantes na região Neotropical.
Atualmente existem cerca de 12.000 espécies de formigas descritas em 11 subfamílias e aproximadamente 300 gêneros, porém, estima-se que esse número ultrapasse a casa das 19.000 espécies. Pertencentes a classe Insecta e a ordem Hymenoptera, por incrível que pareça estão reunida somente na família Formicidae. Embora ao grande número de espécies descritas, as formigas representam apenas 1,5% das espécies conhecidas de insetos, mas somam mais de 15% de toda biomassa animal das florestas tropicais.
Devido a essa alta diversidade e biomassa, as formigas desempenham papéis importantes na dinâmica de muitos ecossistemas como dispersão e predação de sementes, ciclagem de nutrientes e herbivoria. Além disso, as formigas interagem diretamente com uma série de organismos.
Os ninhos das formigas, de uma maneira geral, consistem de um sistema de passagens ou cavidades que se comunicam umas com as outras e com o exterior. Algumas espécies constroem seus ninhos no solo e plantas; outras no interior de edificações (sob azulejos, batentes de portas, pisos, vãos e frestas, entre outros) ou ainda ocupam cavidades na madeira ou troncos de árvores. As colônias variam em tamanho e podem ser formadas desde algumas dezenas até por muitos milhares de indivíduos.
O Brasil apresenta cerca de 2 mil espécies de formigas descritas, sendo que, destas, apenas 20 a 30 são consideradas pragas urbanas devido ao fato de invadirem alimentos armazenados, plantas e outros materiais domésticos.
Formigas Agricultoras
Há cerca de 50 milhões de anos atrás, não muito depois do desaparecimento dos dinossauros, e muito antes do homem se ter diferenciado dos chimpanzés, um grupo de humildes formigas descobriu uma forma de assegurar alimento – tornaram-se agricultoras, cultivando fungos no interior dos formigueiros para a sua alimentação. Todas estas espécies pertencem à tribo Attini, e distribuem-se fundamentalmente pelas florestas tropicais da América Central e do Sul. Nesta categoria encontram-se gêneros considerados “inferiores” ou mais primitivos e gêneros “superiores”, dos quais fazem parte os gêneros Atta (saúvas) e Acromyrmex (quenquéns), que correspondem às conhecidas “formigas cortadoras”, extremamente especializadas.
Na ausência de enzimas que possibilitam a degradação da matéria vegetal e de insetos mortos, estas formigas obtêm os nutrientes de que necessitam através dos fungos. Em contrapartida, eles ganham um local no solo onde se podem desenvolver protegidos pelas formigas de predadores e parasitas, e conseguem obter mais material da área circundante do que se estivesse por sua conta, material esse que já vem preparado pelas enzimas produzidas pelos insetos. Os fungos utilizam esta biomassa vegetal cortada pelas formigas (Figura 1) para crescerem e acumulam tantos nutrientes que as extremidades das suas hifas incham com açúcares e proteínas, que depois servem de alimento para a colônia toda.
Ciclo de vida das formigas
Cada colônia é constituída por três formas distintas: rainhas, machos e operárias. As rainhas são maiores que os demais indivíduos da colônia e são aladas; em algumas espécies podem viver vários anos. Os machos também são alados e consideravelmente menores que as rainhas. Tem vida curta e morrem após o acasalamento. As operárias são fêmeas estéreis, não possuem asas e constituem a grande maioria de indivíduos da colônia. Machos e rainhas são produzidos na colônia em grande número, geralmente na primavera, quando saem dos ninhos e realizam o vôo nupcial. Logo após o acasalamento, o macho morre e a rainha inicia uma nova colônia ou retorna a uma já estabelecida. Ela elimina suas asas após o vôo, encontra um local para construir o ninho e colocar os ovos. Esta primeira cria é alimentada pela rainha e é formada exclusivamente por operárias, que são sempre estéreis. Depois que as operárias surgem, passam a realizar todo o trabalho da colônia: construção e defesa do ninho, cuidado com a prole, coleta de alimento, entre outros. A partir daí, a função da rainha passa a ser unicamente a postura de ovos.
Agravos para a saúde
Algumas formigas podem se defender através de um aparelho inoculador de veneno, podendo provocar reações alérgicas cuja gravidade depende da sensibilidade do indivíduo, local e número de ferroadas. As formigas-de-fogo tornam-se agressivas e atacam em grande número se o formigueiro for perturbado. A ferroada é extremamente dolorosa e uma formiga é capaz de ferroar 10-12 vezes, fixando suas mandíbulas na pele e ferroando repetidamente em torno desse eixo, o que leva a uma pequena lesão dupla no centro de várias lesões pustulosas. As espécies mais comuns são a Solenopsis invicta, a formiga lava-pés vermelha, originária das Regiões Centro-Oeste e Sudeste (particularmente o Pantanal Mato-Grossense) e a Solenopsis richteri, a formiga lava-pés preta, originária do Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai.
Curiosidades
● As formigas, tal como os tubarões, não sofreram grandes modificações na sua forma e tamanho ao longo dos últimos 60 milhões de anos. O mesmo tipo de formigas que existe atualmente no nosso planeta, habitava o mundo dos famosos dinossauros. Os paleontólogos têm descoberto mais fósseis de formigas que fósseis de qualquer outro inseto, parecendo indicar que as formigas têm sido uns colonizadores cheios de sucesso ao longo dos tempos. As formigas são realmente animais extraordinários, algumas delas conseguem carregar objetos que têm um peso dez vezes superior ao seu próprio peso, enquanto outras chegam a carregar com objetos cinqüenta vezes mais pesados. Muitas conseguem arrastar esses objetos por longas distâncias, subindo mesmo a árvores com eles. Se os seres humanos possuíssem tanta força, uma pessoa com 45 kg conseguiria carregar um pequeno automóvel durante aproximadamente 13 km, e depois subir a maior montanha do mundo ainda com o carro às costas.
● Os ninhos subterrâneos de algumas formigas tropicais podem ter uma profundidade de 12 m, albergando uma população de mais de 10 milhões de formigas. Algumas constroem ninhos constituídos por uma dúzia ou mais de montes de terra que poderão alcançar uma altura de 9 m, e que se encontram interligados, podendo um ninho deste tipo ocupar uma superfície equivalente a um campo de futebol.
● As formigas nunca dormem; pelo menos, nunca ninguém as viu fazerem isso. O que os biólogos descobriram é que as formigas sabem dividir o dia em horas de trabalho e de descanso. Alguns acham que elas não dormem porque têm uma vida curta e precisam trabalhar para manter o formigueiro. Algumas espécies, como as saúvas, vivem apenas três meses e começam a trabalhar assim que nascem.
● Elas também são surdas e se comunicam pelo cheiro. Quando uma formiga está em perigo, ela solta um odor chamado de feromônio para alertar as companheiras, transmitindo um aviso de que as demais devem fugir. O odor varia conforme a situação, mas o ser humano não consegue sentir esse cheiro. As formigas também servem de comida para o homem. Os chineses adoram ensopado de formigas, vinho com formigas, feijão com formigas etc. Eles dizem que, além de saborosas, são úteis no tratamento de muitas doenças. Se curam realmente ninguém sabe, mas os biólogos dizem que as rainhas-saúvas são muito nutritiva.

Anexo:
Figura 1. Formigas cortadeiras: folhas sendo incorporadas ao jardim de fungo.
MORFOLOGIA
Cérebro: Com cerca de 500.000 neurônios, divide-se em três partes (protocérebro, deutocérebro e tritocérebro).
Garras: Cada perna possui um par de garras (tarsais), que permitem o deslocamento desses insetos em superfícies lisas ou inclinadas.
Mandíbulas: Localizadas na parte anterior da cabeça, têm como funções serrar, cortar, furar, segurar e esmagar alimentos, além de servir para defesa.
Pernas: Como todos os insetos, possuem três pares de pernas. Cada uma é dividida em cinco segmentos. Também são usadas para limpeza do corpo.
Papo: Primeiro estômago armazena alimentos líquidos (ou a parte líquida da comida ingerida), regurgitados conforme a necessidade das larvas e da rainha.
Pedicelo ou cintura: Estreitamento entre o tórax e abdome. Diferencia as formigas dos outros insetos.
Exoesqueleto ou cutícula: Esqueleto externo e quitinoso que recobre o corpo e assegura a rigidez do adulto.
Glândula pos-faríngea: Só ocorre nas formigas. Produz e armazena lipídios (gorduras), secretam enzimas digestoras, produzem feromônios e misturam os componentes que originam o odor da colônia (o reconhecimento colonial).
Coração: Vaso dorsal que distribui a hemolinfa (“sangue” dos insetos) da região posterior para a anterior, irrigando o cérebro.
Glândula de veneno: Em muitas espécies produz o ácido fórmico (daí o nome de formiga), mas na maioria fabrica um veneno com alcalóides e peptídios, que quando injetado pode irritar o local ou causar graves reações alérgicas. Tem efeito paralisante nas presas.
Glândula de Dufour ou básica: Secreta feromônios que orientam as formigas. Uma vez depositados no ambiente por um indivíduo, informam as companheiras sobre pistas, como fontes de alimentos.
Glândula metapleural: Secreta substâncias anti-sépticas contra microorganismos.
Estômago verdadeiro: Digere e absorve os alimentos.
Sistema nervoso: É composto pelo cérebro e gânglio subesofágico na cabeça e por três gânglios torácicos e gânglios abdominais no cordão nervoso ventral.
Ferrão: Arma de defesa usada para injetar veneno. Apenas algumas espécies a possuem.
Olhos: Dependendo da espécie, algumas formigas podem enxergar até muitas centenas de metros, enquanto outras são quase cegas.
Íleo (intestino delgado): No íleo se abrem os túbulos de Malpighi (tubos verdes), que se ligam ao reto (bolsa rosa), formando o sistema de excreção.
Antenas: Formigas são os únicos insetos que possuem antenas em forma de cotovelo, com o primeiro segmento alongado e os restantes formando ângulo com o primeiro. Têm função sensitiva, por onde as formigas tateiam, sentem cheiros e se orientam.
Glândula mandibular: Produz feromônios de alarme, que sinalizam a presença de algum perigo, como um predador ou formigas de outras colônias.
Boca: Para comer, as formigas usam uma bomba de sucção na faringe. Entre ela e a boca, há a cavidade (ou filtro) infrabucal, pela qual não passa nada sólido.
Esporão: Presente no primeiro par de pernas, tem a função de limpeza das antenas.
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Em seu texto de 1920, “O mal-estar na civilização”, Freud chegou a conclusão que o indivíduo não pode ser feliz na civilização moderna. Mesmo com todo progresso técnico e cientifico o homem não se tornou mais feliz. Ao refletir sobre o propósito da vida, ele chegou à conclusão de que o objetivo da civilização não é a felicidade, mas é a renúncia a ela. A vida do indivíduo é a busca constante pela realização da satisfação do prazer, mas esta satisfação é impossível de realizar num mundo carente e escasso de recursos. O mundo é hostil as necessidades humanas, para tudo que é bom e prazeroso exigem-se trabalhos penosos e sofrimentos. A manutenção da civilização exige que o individuo trabalhe. Mas os homens não são amantes do trabalho e os argumentos não tem valia nenhuma contra suas paixões. Assim, é somente através da repressão social que os indivíduos são obrigados a trabalharem.
Na teoria da cultura freudiana, a sexualidade é a pedra fundamental na manutenção e reprodução da civilização. A civilização só pode existir porque os impulsos sexuais são canalizados para o trabalho, gerando todos os bens materiais e intelectuais da civilização. “A civilização está obedecendo às leis da necessidade econômica, visto que uma grande quantidade de energia psíquica que ela utiliza para seus próprios fins tem de ser retirada da sexualidade” (FREUD, 1969, p. 125). Em conseqüência disso, Freud atribuiu as doenças psíquicas de sua época a grande repressão que a civilização exerce sobre os impulsos sexuais. Essa insatisfação foi exigida num grau muito superior que o necessário. O processo civilizatório é marcado pela renúncia e pelo sentimento de insatisfação que os homens experimentam vivendo em sociedade. O resultado disso é o mal-estar na civilização. Este mal-estar é produzido pelo conflito irreconciliável entre as exigências pulsionais e as restrições da civilização.
Hoje em pleno século XXI podemos dizer que nossa época melhorou muito. A vida tornou-se um pouco mais digna; as taxas de crescimento da natalidade e o aumento da expectativa de vida demonstram a melhoria. A saúde e o saneamento básico já atingem a grande maioria da população mundial. O analfabetismo já não é um problema grave dos países subdesenvolvidos. Há uma maior tolerância à liberdade sexual. A população de hoje usufrui mais e melhor dos bens culturais. No entanto, o mal estar na civilização não desapareceu. Em nossa época, o mal-estar assume novas formas, ela estaria mais associada às condições econômicas e sociais que os indivíduos experimentam no mundo moderno. Nós, filhos da modernidade, somos espectadores de uma experiência que melhor se conceitua como fome, miséria, barbárie, guerras, desemprego, instabilidade econômica e social. Todos esses fatores geram a insegurança social no indivíduo e conseqüentemente são responsáveis pelas doenças psíquicas de nossa época. No atual estágio de nossa civilização não sabemos se nossas perspectivas serão realizadas. O mundo se torna cada vez mais racionalizado e o trabalho se torna cada vez mais dispensável. A racionalidade técnica cria cada vez mais domínio de objetos e instrumentos que acabam por mecanizar todas as estruturas sociais. O homem entendido como “homo faber”[1] está perdendo sua importância. Nós vivemos uma época de desemprego estrutural (desemprego causado pela mecanização das estruturas sócias). Esse desemprego atinge todos os países e torna inexorável o fim da sociedade do trabalho. O homem tem se tornado uma peça inútil na estrutura dos meios de produção. A possibilidade de uma mecanização completa em todas as esferas da vida social é uma possibilidade histórica. Esse fato deve abalar o narcisismo do homem. O indivíduo se vê sem ocupação e sem perspectivas. Ele perde sua identidade na medida em que perde sua ocupação. Ele torna-se um indivíduo à margem, mais um na massa de desempregados. É este mal-estar na civilização, que surge da preocupação, do medo e da insegurança que procuramos diagnosticar.
Na época de Freud, o puritanismo, os tabus e a enorme rigidez contra os impulsos sexuais poderiam dar razões para se afirmar que o mal-estar surgisse das restrições à vida sexual. Contudo, vivemos em uma época onde a liberdade sexual é tolerada e até mesmo incentivada. A sexualidade perdeu sua importância como fator preponderante nas crises de ansiedade e de neuroses. No atual estágio do progresso humano, as restrições à sexualidade tornaram-se desnecessárias. Com o desenvolvimento técnico e cientifico, o uso das pulsões sexuais na criação dos bens culturais perdeu sua importância. O homem já não precisa mais sacrificar sua sexualidade em nome do progresso. Hoje a racionalidade atingiu todas as esferas da vida social. O progresso técnico atingiu tal amplitude que já não é mais necessário desviar as pulsões sexuais para o trabalho competitivo. Em um futuro próximo, não será mais preciso o uso das forças humanas na produção e reprodução dos bens culturais. As pulsões estariam livres da repressão imposta pelo trabalho social. Dessa forma, o mal-estar do indivíduo na civilização já não surge mais da insatisfação libidinal. Já não é mais de uma tensão física, sexual, que causa a ansiedade, mas é uma tensão psíquica, causada pela preocupação, pelo medo e pela insegurança causada por condições econômicas e sociais. Os estímulos externos causam todo tipo desajuste psíquico. É comum a experiência da melancolia, da depressão, do desânimo, do desinteresse pela vida, da baixa auto-estima e da sensação de inutilidade. As doenças que eram menos comuns na época de Freud se tornaram grandes problemas para psicólogos e psiquiatras, são os traumas de roubos e de seqüestros, a síndrome do pânico, a compulsão de consumo, a síndrome de perseguição, a misantropia e a depressão. Todas essas doenças são acompanhadas de crises de ansiedade. São doenças típicas de nossa época e que estão associadas ao mal-estar na civilização.
Segundo Mezam, “na época de Freud a sociedade era mais rigidamente patriarcal e com valores claramente identificáveis, nossa época tornou-se mais relativista e fragmentária. Os ritmos de mudança na sociedade contemporânea se tornaram alucinantes, deixando os indivíduos desorientados e pressionados pelas exigências do dia-a-dia”. (MEZAN, 2000, p. 208). Se na época de Freud os valores eram bem estabelecidos, em nossa época não há mais valores ou rumos pré-estabelecidos a serem seguidos. A família como formadora da individualidade se fragmentou. Os laços familiares se tornaram frágeis por causa das exigências do mundo exterior. A família não constitui mais um núcleo fixo de produção da subjetividade. Todos os indivíduos devem trabalhar se querem viver. A criança não tem mais o convívio do pai. O pai deixou de ser um parâmetro ou modelo a ser seguido. Não há mais parâmetros ou padrões definidos A Tv, a escola e as instituições sociais ensinam os modelos, as formas de ser, de pensar, de agir e de valorizar. O indivíduo moderno está desamparado e desorientado. Seu modelo é o patrão, o playboy rico, o traficante do bairro ou o artista de novela. O distanciamento da autoridade paterna causou ao indivíduo o desnorteamento e a insegurança frente ao mundo exterior.
O mal-estar na civilização é a condição existencial do homem moderno, é o destino que todos temos de compartilhar. O simples fato de o indivíduo viver no mundo contemporâneo já é o requisito para se viver ansioso. A sociedade industrial, a competitividade, o consumo desenfreado, o desemprego, a violência, a dinâmica das transformações sociais e dos valores, a adaptação do indivíduo às exigências da vida são os principais fatores que produzem o mal-estar na civilização.
FREUD, S. O mal-estar na civilização. Rio de Janeiro, Imago, Edições Standard, Tomo XXI ,1969.
MEZAN, Renato . O Mal-Estar na Modernidade. Revista Veja, São Paulo, p. 68 – 70, 26 dez. 2000.
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O governo culpa os professores pela má qualidade do ensino, mas não enxerga o verdadeiro problema e tenta resolvê-lo com receitas prontas e acabadas. Em São Paulo o governo criou a progressão continuada, os ciclos, a avaliação contínua, a recuperação paralela, deu um novo sentido ao conceito de escola (a escola aprendente), deu também um novo sentido ao papel do coordenador. Contudo, nenhuma dessas ações surtiu efeito. As avaliações externas como Saresp, Saeb, Prova Brasil demonstram resultados pífios. O governo se exime da culpa e diz que o problema está na formação dos professores. Desde então tem feito esforços para dar uma melhor formação aos professores através de cursos e de uma prática reflexiva nas HTPCs. Para o governo, os problemas educacionais são constantemente reduzidos a questões que podem ser resolvidas no âmbito do indivíduo, do esforço pessoal do professor. O professor é visto como o Messias da educação; é um ser dotado de inesgotável força de vontade que deve estar permanente disposto a se superar no cumprimento de sua missão. O importante é que cada um faça sua parte para que a educação melhore. O que o governo ainda não enxergou, por miopia, é que os problemas da educação são problemas políticos, sociais e culturais. São vários os fatores que levam o aluno a um déficit de aprendizagem. Citaremos apenas alguns deles:
Primeiro, é um problema de política pedagógica, pois institui a progressão continuada, que em termos práticos torna-se progressão automática. O aluno perde a motivação para aprender, pois sabe que não precisará fazer esforços para passar de ano. O professor torna-se impotente diante dessa situação e perde sua autoridade, pois a nota que ele aufere do aluno não tem valor Em conseqüência disso, a indisciplina se institucionaliza. A escola torna-se o local do encontro, da amizade, do namoro, da sociabilidade, mas quase nunca do ensino. Outro problema ligado à progressão continuada é o fato de as crianças chegarem ao final do primeiro ciclo sem saber ler e escrever ou chegar ao ensino médio analfabetos funcionais, sendo incapazes de interpretar um texto. Isso ocorre porque o aluno não consegue aprender novas competências por causa de déficits de aprendizagem em séries anteriores. O aluno sente dificuldade de desenvolver novos esquemas mentais e conhecimentos necessários exigidos. Dessa forma, ele não consegue assimilar os conteúdos e habilidades necessários para seguir em frente.
Segundo, o problema da educação é também um problema estrutural. A escola pública no Brasil tem um modelo arquitetônico prisional. Michel Foucault, filósofo Francês, já havia estudados os males que este tipo de arquitetura causa ao indivíduo. Para ele, este tipo de arquitetura é uma arquitetura de esquadrinhamento, da observação, da disciplina, do controle, cujo único objetivo e controlar os indivíduos criando seres dóceis e serviçais ao mercado de trabalho. O aluno da escola pública vive numa prisão. A falta de comprometimento nos estudos, a desmotivação, a falta de interesse do aluno é em boa parte criada por esta estrutura prisional, onde as aulas tornam-se monótonas e chatas. Falta a escola pública uma estrutura material para que o aluno goste de estudar, como áreas verdes, quadras, equipamentos, salas de estudo, salas de teatro, salas de vídeo, salas de ginástica, biblioteca, materiais para uso em sala de aula, etc. Um ambiente agradável com uma estrutura impecável é imprescindível para que o aluno aprenda.
Terceiro, o problema da educação é também social. Os problemas educacionais refletem as contradições da própria sociedade. Na base da educação há uma família geralmente carente material e intelectualmente. Pobreza, fome, falta de trabalho e falta de perspectiva são fatores que minam a educação. O Brasil é um das dez maiores economias do mundo, mas em indicadores sociais ela está ao lado de Botsuana e Moçambique: 30 milhões vivem em estado de miséria; 80 milhões não conseguem consumir as 2240 calorias mínimas exigidas para uma vida normal; 60% dos trabalhadores no Brasil ganham até um salário mínimo. 50% da riqueza concentram-se nas mãos de 10% da população que ganham mais de dez salários. São Paulo, a cidade mais rica do Brasil, não foge a estes dados. O subemprego é uma realidade da grande maioria das famílias paulistas: faxineiras, camelos, lavadores de carro, pedreiros, pintores, eletricistas ocasionais são comuns. Tais pessoas apresentam baixo nível de consumo e renda e baixo nível educacional sendo incapazes de acompanhar seus filhos e dar uma boa assistência a eles.
Quarto, é um problema de política salarial e de valorização do professor. Os baixos salários, o descaso, o desrespeito, a imposição de políticas pedagógicas; tudo isso somado têm reflexos na educação. Os bons salários de alguns grupos de funcionários públicos, como os de juízes, promotores e políticos é provocado pelo subdesenvolvimento de outros grupos, como o de professores. Para que alguns grupos possam receber melhores salários e acumular patrimônios outros grupos necessitam ser explorados e sacrificados. O acesso aos benefícios está desigualmente repartido. Em conseqüência dos baixos salários e dos descasos com a classe, o professor perde a motivação, não tem prazer em dar aulas, resigna-se, não fazendo um bom trabalho.
Quinto, é um problema cultural, pois a sociedade não faz cobranças à escola. Nas escolas públicas não há colegiados, não há conselhos, não há grêmios escolares. As desvalorizações por parte da sociedade brasileira em relação ao saber e ao conhecimento têm reflexos em toda estrutura educacional. Uma sociedade que não valoriza o conhecimento é uma sociedade sem história, sem memória. A participação da sociedade como um todo nas questões educacionais deve ser o cimento que constrói a nossa cultura, que defende as sociedades locais, que preserve nossa memória e consciência contra as ameaças de grupos , de ideologias e de interesses políticos. A participação da comunidade na escola é imprescindível para melhorar a qualidade do ensino e para gerar a consciência política e reflexiva sobre os fatos.
Como vimos, O problema da educação não pode se resolvido no âmbito do microcosmo da escola e do esforço individual de cada um. O governo reduz o problema em termos operacionais, ao voluntarismo. “Escola da família”, “amigo da escola”, “escola para todos” são termos que nos mostram que cabe a comunidade e as professores resolver os problemas da educação. As idéias vinculadas à TV de um professor esforçado, voluntarioso, feliz, decidido a resolver os problemas da educação não condiz com a realidade. Educação não é auto-ajuda Os problemas educacionais não podem ser resolvidos apenas no âmbito do individuo, da comunidade e do esforço pessoal do professor. O problema da educação é antes de tudo um problema político e social.
Michel Aires de Souza
O que é a Caloria?
Caloria é uma medida de energia, que equivale à quantidade de calor necessário para se elevar de um grau centígrado um grama de água. Como esta unidade de energia é muito pequena utiliza-se, a prática, uma unidade mil vezes maior, ou seja, a quilo-caloria, abreviada pelas letras Kcal.
O maior trabalho do nosso corpo é manter-nos na temperatura de 36,7 graus Celsius. É nesta atividade, de manter a temperatura corporal que uma pessoa normal gasta as energias que consome por dia, em média de 2500 para os homens e 2200 para as mulheres.
Como funcionam as dietas de emagrecimento?
Sabendo que gordura é uma reserva de energia, fica fácil entender as dietas. Ao consumir menos calorias do que precisamos, o corpo começa a consumir o estoque de gordura para suprir a falta de energia, e assim “queima” a gordura acumulada. É por isso que, em qualquer dieta de emagrecimento, deve haver o controle do consumo de calorias. Mas atenção: controlar significa ingerir quantidades corretas, e não fazer cortes abruptos radicais na quantidade de calorias.
Recomendação: O consumo de calorias deve variar em função da quantidade de energia que utilizamos. A dieta de um esportista, por exemplo, deve ser mais rica em calorias que a dieta de um porteiro.
AS CALORIAS
Quando queimamos um grama de gordura produz em torno de nove calorias.
Calculamos o número de calorias de um alimento somando todas calorias produzidas pelas gorduras, proteínas e hidratos de carbono. A mesma quantidade de proteína ou hidrato de carbono gera quatro calorias.
Tabelas de Alimentos e calorias que cada alimento possui:
| VERDURAS E LEGUMES | |
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Mandioquinha (100g) |
130 calorias |
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Lentilha (100g) |
110 calorias |
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Feijão-preto (90g) |
110 calorias |
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Alcachofra (120g) |
60 calorias |
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Vagem (125g) |
40 calorias |
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Couve cozida (130g) |
40 calorias |
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Espinafre (180g) |
40 calorias |
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Quiabo (100g) |
30 calorias |
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Cenoura (70g) |
30 calorias |
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Couve-flor (120g) |
30 calorias |
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Tomate (100g) |
20 calorias |
| FRUTAS | |
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Abacate |
320 calorias |
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Salada de Frutas |
230 calorias |
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Manga |
110 calorias |
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Banana |
100 calorias |
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Laranja ou Tangerina |
80 calorias |
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Maçã |
80 calorias |
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Abacaxi (1 fatia) |
80 calorias |
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Goiaba |
70 calorias |
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Mamão |
60 calorias |
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Morango (1 xícara) |
50 calorias |
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Pêssego |
40 calorias |
| BEBIDAS | |
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Milk-Shake de chocolate (1 copo) |
380 calorias |
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Caldo de cana (1 copo) |
240 calorias |
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Caipirinha (1 copo) |
200 calorias |
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Cerveja (meia garrafa) |
150 calorias |
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Leite integral (1 copo) |
150 calorias |
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Coca-Cola (1 lata) |
140 calorias |
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Leite desnatado (1 copo) |
120 calorias |
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Suco de laranja (1 copo) |
110 calorias |
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Vinho tinto (1 taça) |
110 calorias |
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Vinho branco (1 taça) |
100 calorias |
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Água de coco (250ml) |
50 calorias |
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COMIDAS |
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Lasanha (1 porção) |
1285 calorias |
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Feijoada (1 prato) |
935 calorias |
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Linqüíça (100g) |
360 calorias |
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Cachorro – Quente |
290 calorias |
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Hambúrguer |
260 calorias |
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Bolo de Cenoura c\ cobertura |
250 calorias |
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Pãozinho francês |
140 calorias |
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Leite Condensado (2 colheres) |
120 calorias |
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Bacalhau ou Camarão cozido |
100 calorias |
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Salame (50g) |
210 calorias |
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Bombom |
90 calorias |
Eu estou depressivo(…) sem telefone(…) dinheiro para o aluguel(…) dinheiro para o sustento de criança(…) dinheiro para dívidas(…) dinheiro!(…) Eu estou sendo perseguido pela viva memória de matanças, cadáveres, cólera e dor(…) pela criança faminta ou ferida(…) pelos homens loucos com o dedo no gatilho, muitas vezes policial, assassinos(…) Trecho de sua carta de suicídio
Este trecho é de uma carta de suicídio do fotógrafo sul-africano Kevin Carter(1960-1994) ganhador do premio Pulitzer em 1994. Ele fotografou uma criança faminta, sem forças, rastejando para um campo de alimentação, há um quilômetro dali. Ao lado um urubu observa e espera a morte da criança para poder devorá-la, como se já soubesse apriori e esperasse a morte chegar. Carter observou durante vinte minutos, achando que o urubu fosse embora, como não foi, espantou-o e saiu rapidamente dali. Nesta atitude está todo o peso de seu sofrimento e suicídio. Ele se culpou por não tê-la salvo e refletiu sobre si mesmo naquela cena: “um homem ajustando suas lentes para tirar o melhor enquadramento de sofrimento dela, talvez também seja um predador, outro urubu na cena”.
Por que Carter não a salvou? O que ele pensava? Qual era sua preocupação? Com um pouco de reflexão podemos entender por que razão ele não a salvou. Todos nós, filhos da modernidade, somos espectadores de uma experiência empobrecedora que melhor se conceitua como guerra, fome, miséria, repressão e barbárie. No mundo moderno o mal se tornou comum, é parte da cena cotidiana. O mal se banalizou. Tornamo-nos insensíveis a desgraça alheia. Carter, como fotógrafo, acostumou-se a captar o cinéreo, o claustro e o frívolo em suas fotografias. Acostumou-se a experimentar o mal. Mas pagou um preço alto pela banalização do mal. Quando refletiu sobre a cena, sentiu náusea, culpa, remorso. Suicidou-se. Foi o preço que ele pagou por sua falta de piedade. Digo piedade, pois é por meio desse conceito que podemos entender Carter.
Segundo Rousseau o que diferencia o homem do animal é o fato de ele ser um “agente livre”. Do ponto de vista moral, ao contrário dos animais, que seguem as regras da natureza, o homem é dotado de vontade e tem consciência de sua liberdade. Ele pode fazer escolhas, não se limitando as regras prescritas pela natureza. O homem é um ser moral, dotado de vontade e de livre arbítrio. Carter teve que fazer uma escolha moral, salvar ou não salvar aquela criança? Ele não a salvou, deixou-a aos urubus. Mas por quê? O que ele temia? Não sabia que ela ia morrer? Será que faltou piedade a Carter? Outra característica que diferencia o homem do animal, segundo Rousseau, e que foi responsável por torná-lo bom e sociável, é a piedade, entendida como uma “repugnância inata de ver sofrer seu semelhante”. Parece-me que Carter não experimentou esse sentimento. Sua piedade falhou? Mas por que ela falhou? Por que ele não sentiu piedade naquele momento?
A falta de piedade no momento da cena tem uma explicação filosófica. Segundo Theodor Adorno, um dos principais filósofos do século XX, a principal característica da sociedade de massas não é somente a perda da individualidade, mas a perda da sensibilidade, ou seja, a insensibilidade do homem moderno. Somos herdeiros da apatia burguesa. O homem moderno vai ficando apático aos acontecimentos até se tornar completamente insensível. Ele é convidado a nada mais que compartilhar da experiência brutal e uniforme da modernidade. O progresso técnico e científico em vez de criar um mundo de receptividade e fruição do prazer só gerou a opressão, a miséria e o sofrimento a tal ponto que nos acostumamos a eles. É a completa reificação do homem. Todos os dias nos deparamos com mendigos, violência nas ruas, favelas, injustiças, pobreza, fome até nos tornarmos insensíveis ao sofrimento alheio. Essa é uma característica de nossa sociedade de massas.
Para Rousseau é por causa de seu amor-próprio, gerado pela reflexão, que o homem é capaz de pensar primeiro em si e, vendo sofrer seu semelhante, dizer “Morre, se queres; estou em segurança”. Em seu amor próprio o homem contemporâneo perdeu este sentimento natural de piedade na medida em que o mal tornou-se uma característica da experiência moderna. Dessa forma Carter, como um típico homem moderno, perdeu esse sentimento se acostumando a barbárie de nossa época.
Para Rousseau o homem só se tornou homem, ou seja, tornou-se humano pela piedade. A piedade é um sentimento natural presente em todos os homens. Dessa virtude natural é que resultam as virtudes sociais como a generosidade, a clemência, a bondade, a benquerença. É a piedade que nos leva “sem reflexão em socorro daqueles que vemos sofrer; é ela que, no estado de natureza, faz as vezes de lei, de costume e de virtude, com a vantagem de que ninguém é tentado a desobedecer a sua doce voz; é ela que impede todo selvagem robusto de arrebatar a uma criança fraca ou a um velho enfermo sua subsistência adquirida com sacrifício, se ele mesmo espera poder encontrar a sua alhures; é ela que, em vez desta máxima sublime de justiça raciocinada, ‘faça a outrem o que queres que te façam, inspira a todos os homens esta outra máxima de bondade natural, bem menos perfeita, porém mais útil, talvez, do que a precedente: faze o teu bem com o menor mal possível a outrem” ¹
Michel Aires de Souza
1 Rousseau, J Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens.
Escute enquanto Lê
Marx, Weber e Durkhein conceberam o conceito de trabalho como a peça fundamental de seus pensamentos, isso porque o trabalho sempre foi o principal fator que organizou nossa sociedade. Contudo, atualmente o trabalho se fragmentou, já não é mais o mesmo. O trabalho produtivo da indústria, cujos princípios norteadores eram o fordismo e o taylorismo, que valorizavam a produtividade controlando os movimentos das máquinas e dos homens no processo de produção tende a desaparecer. Não existe mais aquele trabalho mecânico, repetitivo, autômato que Charles Chaplin eternizou nas telas do cinema. Neste dia, primeiro de maio, dia do trabalho, nada melhor do que fazer uma reflexão sobre o conceito de trabalho. Qual o futuro do trabalho? Qual o nosso papel enquanto futuros trabalhadores? O que as empresas esperam dos estudantes de hoje que estão entrando no mercado de trabalho?
O mundo mudou ao longo do século XX. Hoje tem sido criadas novas modalidades de ocupação. Pode ser que num futuro próximo todas as esferas da vida social sejam mecanizadas A perspectiva de mudanças nos modos e nas relações de produção com a mecanização e automatização em todas as esferas da vida social deve possibilitar uma nova forma histórica do conceito de trabalho. Temos que pensar o conceito de trabalho a partir de um novo paradigma, que leve em consideração a sociedade do conhecimento e da informação. O trabalho do século XXI não será mais mecânico e produtivo, mas será intelectual e criativo. Atualmente com o desemprego estrutural (desemprego causado pela crescente mecanização) tem surgido cada vez mais o trabalho como prestação de serviço. O papel do trabalhador é prestar serviço produzindo idéias, resolvendo problemas, criando soluções. Esse é o novo paradigma para se pensar o trabalho a partir do século XXI. O trabalho automático, irritante, desprazeiroso e produtivo será abolido e substituído pelo trabalho lúdico, intelectual, imaginativo. O trabalhador do futuro não terá mais carteira assinada, mas deve prestar serviços às empresas, órgãos e instituições privadas e públicas. Ele deve ter como sua principal característica à capacidade de mobilizar esquemas mentais e conhecimentos para resolver problemas, de analisar situações e fazer diagnósticos, de trabalhar em equipe, de saber proceder e agir com criatividade em qualquer situação, de fazer inferências e sempre ser capaz de aprender continuamente. O sociólogo italiano Domenico Masi especialista no assunto ilustra bem como será o trabalho no futuro. “O trabalho braçal a máquina faz; o mental o computador realiza; ao ser humano cabe ter idéias e ser criativo”.
O termo “home Office” deve tornar-se uma palavra comum no futuro. Trabalhar em casa com a mente e com o computador ou um notebook deve ser o espaço de produção e criação. Segundo José Pastore sociólogo especialista em relações do trabalho, professor da Universidade de São Paulo, os serviços que mais se expandem são os de economia intangível e que dependem muito mais do talento intelectual do que da força física. É intangível, pois os papéis exercidos pelos empregados e empregadores não são claramente divididos e identificáveis. Essa é uma tendência no mundo todo, os profissionais de hoje empenham-se em atividades especializadas e atuam como pessoas jurídicas. Hoje se trabalha como cooperado, por projeto, à distância, como free lancer, intermitente, coloborativo, etc. No mercado de trabalho não há mais lugar para quem não sabe pensar; para quem não gosta de aprender e estar constantemente atualizado; para quem não tem flexibilidade para se adaptar a um ambiente em constante mudança. Não há mais lugar para aquele que não quer transformar-se para melhor, em progredir e aperfeiçoar-se.
Escute enquanto lê. 
O grande problema das escolas é o relacionamento interpessoal, que as impedem de formar verdadeiras equipes para melhoria do ensino. O relacionamento entre gestão e professores é determinado por relações de poder. O poder corrói os relacionamentos. Em muitas escolas o grupo de professores é dirigido por pessoas que agem de maneira semelhante a oficiais do exército. Para ser um bom gestor de escola é necessário, antes de tudo, ser um educador. É necessário acreditar na capacidade do ser humano em transformar-se para melhor, em progredir e aperfeiçoar-se. Todo gestor deve se interessar pelo professor, criando condições para que este cresça e se realize. O bom gestor é aquele que influencia por suas idéias e ações o pensamento e atitudes dos outros. No entanto, ele tem que saber ouvir com empatia. Tem que ser compreensivo, flexível, conciliador e harmonizador. Ele tem que ser sensível às transformações de condição de seu grupo. Ele deve fazer menos verificação e controle dos membros do grupo e dar mais apoio a eles. Ele tem que ter maturidade emocional para criar um clima emocional na escola capaz de manter o grupo unido. Em outras palavras, para liderar é necessário servir. O segredo da liderança é o relacionamento.
Na grande maioria das escolas os gestores administram num ambiente autocrático, onde os líderes e coordenadores utilizam o poder coercitivo decidindo o que o grupo deve fazer e como fazer. Neste ambiente surgem mais hostilidades, rivalidades e agressividades. No entanto a experiência nos mostra que o ambiente democrático é mais eficaz. Neste ambiente as decisões são tomadas por consenso da maioria, cabendo ao coordenador ou líder apenas a tarefa de orientar a atividade. O resultado disso é uma melhor produtividade, maior amizade e espírito de equipe, evidenciando apreciação mútua entre os membros do grupo e revelando maior satisfação.
Do nosso ponto de vista, portanto, a escola não deve ser um regime militar. O bom gestor é aquele que ouve, participa, analisa, orienta, educa, treina e motiva. É somente com estes princípios que ele consegue a cooperação voluntária de seu grupo. A eficiência dos educadores está diretamente ligada à eficiência dos gestores, pois estes últimos são responsáveis por criar uma boa equipe de trabalho, numa atmosfera cooperativa e amistosa, onde haja colaboração e lealdade do grupo.

No final do século XIX, a teoria que afirmava que a natureza da luz era puramente uma onda eletromagnética, (ou seja, a luz tinha um comportamento apenas ondulatório), começou a ser questionada.
Ao se tentar teorizar a emissão fotoelétrica, ou a emissão de elétrons quando um condutor tem sobre si a incidência de luz, a teoria ondulatória simplesmente não conseguia explicar o fenômeno, pois entrava em franca contradição.
Foi Albert Einstein, usando a idéia de Max Planck, que conseguiu demonstrar que um feixe de luz são pequenos pacotes de energia e estes são os fótons, logo, assim foi explicado o fenômeno da emissão fotoelétrica.
A confirmação da descoberta de Einstein se deu no ano de 1911, quando Arthur Compton demonstrou que “quando um fóton colide com um elétron, ambos comportam-se como corpos materiais.”
A velocidade da luz
De acordo com a moderna física teórica, toda radiação eletromagnética, incluindo a luz visivel, se propaga no vácuo numa velocidade constante, comumente chamada de velocidade da luz, que é uma constante da Física, representada por c e igual a 299.792.458 metros por segundo
Medição da luz
As seguintes quantidades e unidades são utilizadas para medir luz.
brilho, medida em watts/cm²
iluminância ou iluminação (Unidade SI: lux)
fluxo luminoso (Unidade SI: lumen)
intensidade luminosa (Unidade SI: candela)

Sentir, sem ser tocada.
Navegar pela realidade sonhada.
Afogar-se nas carícias desejadas.
Ouvir palavras não pronunciadas.
Estar ao lado de alguém ausente.
Num abraço não existente.
Ilusão e realidade em fusão.
Entrada sem direção.
Jogo certo e seguro
Dilaceração e acalento
Império dos pensamentos
Silêncio do mar.
Sol sem calor
Contraditório, amor
Escute enquanto lê. 
A escola de hoje é o local onde a cultura capitalista se reproduz. A criança deve ser condicionada desde cedo ao mercado de trabalho, todos os seus gestos e pensamentos devem ser voltados para a aceitação passiva dos valores que regem a economia de mercado. As escolas são como fábricas, os indivíduos devem ser treinados e qualificados. O aluno deve aprender a saber diferenciar entre o certo e o errado, entre o útil e o prejudicial. Com isso, a cultura vigente capitalista se universaliza. Consequentemente, surge uma cultura internacional popular, uma cultura do consumo e do desempenho. Herbert Marcuse, nos anos cinqüenta, já havia nos alertado sobre essa cultura consumista onde os indivíduos devem ter um desempenho econômico.
A cultura do capitalismo burguês nivela a tudo e a todos. É o fim da cultura como nós a conhecemos. Os povos estão perdendo sua cultura. O que é popular caiu no esquecimento. A cultura em seus modos de existir, o cotidiano físico e simbólico e o imaginário dos homens foi condicionada por uma cultura internacional popular. Otavio Ianni, em seu livro “Sociedade Global”, nos alerta que antigamente invadia-se os mercados com mercadorias, mas hoje se invadem culturas inteiras com informações, entretenimentos e idéias. Formam-se linguagens globais. O que é local, regional, nacional, entra no jogo das relações internacionais. Como consequencia disso, realizam-se produções materiais e espirituais que já nascem como internacionais ou propriamente globais. A cultura internacional popular nasce, circula e é consumida como mercadoria lançada simultaneamente em diferentes mercados nacionais. Por sobre e além da cultura popular surge uma nova cultura internacional popular.
Alfredo Bosi também detectou a regressão da cultura a barbárie. Em seu livro “Dialética da colonização” ele nos mostra que o patrimônio sócio-cultural no Brasil perdeu-se ou encontra-se depositado em bibliotecas e museus como relíquias. Em nossa época, o que acontece é a destruição de formas sociais de vida e de trabalho, dos modos de ser da coletividade, povos e culturas. Bosi critica uma certa vertente culta, ocidentalizante, de fundo colonizador, que procura estigmatizar a cultura popular como fóssil correspondente aos estados de primitivismo, atraso e subdesenvolvimento.
A escola tornou-se um local de aculturação, da barbárie cultural e da domesticação da alma. Bordieu já havia detectado que a escola não é o lugar da cultura popular, mas é o local onde se materializa e reproduz os valores da cultura do capitalismo burguês. A cultura perdeu sua importância e o homem tornou-se reificado, tornou-se um objeto, um parafuso numa engrenagem. Para que isso não aconteça, é imprescindível para toda educação do futuro preservar a cultura dos povos. A educação deve ser um instrumento de luta, de revolta, contra o condicionamento da alma, contra a aculturação, contra a exploração e contra a miséria. A educação do futuro, para o futuro do Brasil exige que o aluno tenha um ensino mais humanista e que aprenda a gostar e a preservar sua cultura.
Escute enquanto lê.

A adolescência é um período conturbado de crises, sofrimentos, conflitos pessoais e interpessoais, conflitos amorosos e familiares. Daí a necessidade de uma auto-reflexão que leve o aluno a entender mais a si mesmo, entender mais seus sentimentos, seus desejos, sua atitudes. Com a ajuda dos professores de psicologia e de filosofia o aluno deveria fazer uma profunda análise sobre o Eu. “Conheça-te a ti mesmo”. Essa frase emblemática de Sócrates, o pai do racionalismo ocidental, é o fundamento de todo conhecimento, justiça e felicidade aqui na terra. Essa mensagem estava escrita no templo de Apolo. Sócrates aconselhava seus discípulos a se autoconhecerem, pois somente assim as pessoas sairiam da caverna, da escuridão de seus espíritos. Para alcançarem a luz, a verdade, a justiça e a felicidade, segundo ele, teríamos que fazer uma profunda reflexão sobre nós mesmos – “conheça-te a ti mesmo” – esse é o princípio de tudo. O adolescente para se tornar um ser saudável, bom, feliz e equilibrado precisa fazer essa reflexão.
No mundo moderno, a família como formadora da individualidade se fragmentou. Os laços familiares se tornaram frágeis por causa das exigências do mundo exterior. A família não constitui mais um núcleo fixo de produção do sujeito. A criança e o adolescente não têm mais o convívio do pai. O pai deixou de ser um parâmetro ou modelo a ser seguido. Não há mais parâmetros ou padrões definidos A indústria cultural, a TV, os grupos de amigos e as instituições sociais ensinam os modelos, as formas de ser, de pensar, de agir e de valorizar. O adolescente moderno está desamparado e desorientado. Seu modelo é o patrão, o playboy rico, o traficante do bairro ou o artista de novela. O distanciamento da autoridade paterna causou ao adolescente o desnorteamento e a insegurança frente ao mundo exterior. Ser adolescente é enfrentar um mundo onde não sabemos se as nossas perspectivas serão realizadas, é não saber diferenciar bem o que é útil e prejudicial. Ser adolescente é ter dúvidas, medos, conflitos. Por estas razões cabe a escola ajudar o aluno a se autodescobrir, a superar seus conflitos, seus preconceitos, seus medos e a formar sua individualidade.
Os alunos em sua grande maioria não têm prazer em estudar. Eles têm sentimentos de amor e ódio em relação à escola. De amor, porque ali é o local do encontro, da amizade, do namoro. De ódio, porque é local da obrigação, da disciplina, do dever, do trabalho. A escola é o local da sociabilidade, mas quase nunca do ensino. O ensino é chato, sem novidades, desprazeroso. As aulas consistem quase sempre em copiar o que o professor passou na lousa. Quando o professor ensina, os alunos conversam, apáticos à explicação, não se interessam por nada. O que fazer? Como criar o gosto pelo estudo? Como quebrar a barreira da apatia? Nós educadores pensamos que a função da educação é criar um ambiente lúdico para o ensino. Todos nós professores sentimos prazer pelo conhecimento. Também achamos que o conhecimento deve ser um prazer para o aluno. Einstein dizia que a mente avança até o ponto onde pode chegar, mas depois passa para uma dimensão superior, sem saber como lá chegou. Este salto é dado pela imaginação. Todas as grandes descobertas realizam este salto. A educação deve atingir a imaginação através do jogo, da brincadeira, das imagens, dos sons, do tato. O conhecimento deve se transformar num prazer da imaginação. Para Einstein a imaginação é mais importante do que o conhecimento. Ela está na base de todas as descobertas científicas. A educação deve atingir as emoções do aluno através da imaginação. O aluno deve ter prazer em estudar. A perplexidade, o espanto, o desejo de compreender, a curiosidade são sentimentos que estão na raiz de todo conhecimento. Para Einstein, a coisa mais bela que o homem pode experimentar é o misterioso. É esta a emoção fundamental que está na raiz de toda ciência e arte.
O que difere o senso comum da consciência filosófica ou científica é o fato de que os filósofos e cientistas compreendem os fenômenos através de conceitos. O senso comum, por sua vez, parte de opiniões, crenças e desejos para compreendê-los. Do nosso ponto de vista, é necessário ensinar os alunos a pensarem através de conceitos. Se nós aumentarmos o vocabulário filosófico e científico dos alunos, nós estaremos aumentando sua visão de mundo. Uma das competências exigidas pelo Enem e contempladas pela nova proposta curricular do estado de São paulo é assimilação e construção de conceitos. É necessário que o aluno saiba construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas
Na época moderna Kant e Hegel mostraram o papel do conceito como instrumento privilegiado do conhecimento. O rigor do conceito é indispensável para a filosofia e para a ciência. Nós só conhecemos bem um sistema filosófico ou uma teoria cientifica quando entendemos bem seus conceitos. A palavra conceito vem do latim conceptus, ação de conter, concepção. O conceito é uma idéia ou noção que formamos em nossa mente acerca de qualquer coisa. Ele é formado pela reunião de características da própria coisa, seja um objeto real ou abstrato. Por isso, o conceito torna possível a descrição, a classificação e a previsão dos objetos cognoscíveis. Devemos lembrar ainda que todo conceito exige uma definição. Não há conceito sem definição. Esta palavra vem do latin definitio, que significa delimitação, limitação, determinação. Definir é enunciar todas as características ou qualidades de uma coisa. É uma operação pela qual se determina, se delimita e se enuncia a compreensão de um conceito. Para Aristóteles, filósofo da Grécia antiga, a definição faz conhecer o que é uma coisa. Dizer o que é uma coisa é o mesmo que dar sua definição. A função do conceito é a comunicação, tornar claro aquilo que era obscuro através de uma definição. Para Deleuze, filósofo francês do século XX, o conceito não é apenas uma idéia generalizante, mas também institui um acontecimento, que permite reaprender a ver o mundo, dar uma “ressignificação ao mundo”. Através dos conceitos o aluno deve ampliar sua visão de mundo.

Tornou-se comum para psicólogos e psiquiatras acreditarem que há uma relação causal entre o uso de drogas e a desestrutura familiar ou a problemas financeiros. Mas isso não é uma verdade. Os dados nos mostram que é cada vez maior o uso de drogas em famílias abastadas, aparentemente estruturadas, com diálogo, compreensão e afeto. Os dados derrubam a tese de que um problema desta ordem pode acometer apenas famílias desorganizadas, pobres e amorais. Citaremos aqui o caso do Crack que é comumente associada à classe de baixa renda, em particular, associada a menores abandonados, prostitutas e mendigos. “O crescimento do consumo de crack entre jovens abastados pode ser recente, mas avassalador. Por mês, Rubens de Campos filho atende 400 pessoas com os mais diversos distúrbios, como depressão, estresse, fadiga. Problemas com drogas representam um terço do movimento do seu consultório, 70% fumam crack, todos de classe média e alta”. (UCHÔA, 1996, p.133)
Segundo Marco Antônio Uchôa, jornalista da Globo, o primeiro sinal significativo de que o crack invadiu a família de classe média foi dado em outubro de 1995 com a morte de Cristiane Gaidies, uma moça de 20 anos, filha de uma psicóloga e um dentista. Ela foi morta por tentar roubar um toca fitas. A família tentou de tudo, diálogos, internações, mudanças, mas nada adiantou. “Antes de ser assassinada, a moça de cabelos cor de mel, olhos expressivos e sorriso claro morava com outros viciados em crack num casarão abandonado na mesma rua onde morreu (…). O casarão sujo e úmido, é a referência de crack nas imediações da avenida Paulista e abriga mendigos, prostitutas, travestis e viciados”. (UCHÔA, 1996, p.133).
Se as drogas não estão associadas a desestrutura familiar ou à carência material e intelectual, então, por que os jovens usam drogas? O problema das drogas não é somente um problema familiar, uma vez que ela atinge famílias bem estruturadas, com afeto e boa educação. O uso de drogas é o meio pelo qual os jovens se utilizam para buscar mais prazer do que a sociedade oferece e para aliviarem suas frustrações e insatisfações com uma sociedade que perdeu seus valores, que se tornou relativista e fragmentária. Os ritmos de mudança na sociedade contemporânea são muito rápidos, deixando os indivíduos desorientados e pressionados pelas exigências do dia-a-dia. Vivemos uma época onde a família como formadora da individualidade se fragmentou, onde não há mais valores pré-estabelecidos, onde a ética individualista do lucro tornou-se a moral social, onde a racionalidade do capital transformou o consumo em necessidade orgânica e onde Deus se tornou mercadoria barata. Os jovens usam drogas porque não há mais rumos pré-estabelecidos, não há mais valores, não há mais limites, somente o que importa é a busca do prazer imediato. A sociedade criou um mundo consumista onde os jovens vivem de prazeres imediatos e são criados sem frustrações diferentemente de seus pais. Eles estão desorientados, não têm limites e sofrem a pressão do mundo externo com suas regras e normas. As drogas são os meios que o indivíduo busca para aumentar o nível de prazer que as coisas não podem oferecer e para se livrar das tensões dos estímulos causados por uma realidade repressiva, que desumanizou o homem e humanizou o dinheiro e os bens materiais. O homem se tornou apenas uma coisa, um objeto, um parafuso em uma engrenagem. Ele é apenas um número: um número de RG, um número de CPF, um número na escola, um número na empresa, um número na guerra. É algo substituível, o puro nada. Dessa forma, as drogas se proliferam como narcóticos que aliviam as tensões, causam prazer e fornecem um “mundo melhor” para se viver. Elas produzem um alívio momentâneo, mas potente, que altera o funcionamento bioquímico do cérebro, possibilitando a sensação de prazer, mas que as vezes tem se tornado um caminho sem volta.
Bibliografia
UCHOA, Marco.A. Crack: o caminho das pedras. Ática: São paulo, 1996.

